Arquivos - setembro 18th, 2007




18 set 07

Contimuando a homenagem a Semana Farroupilha … uma piada com nossos conterrãneos … os Catarina …
Abraços aos amigos …

Ser Gaúcho é…

Enviado por José Carlos Fallavena

… morar em Florianópolis e dizer que Porto Alegre é melhor.
… assinar Zero Hora em Nova York.
… estar no Maracanã escutando a Rádio Gaúcha.
… bater no filho ao descobrir que ele é Flamengo.
… ir à Joaquina de garrafa térmica.
… não afundar ao entrar na água.
… descontrolar-se numa piscina.
… achar que a FREE WAY é a nona maravilha do mundo.
… ter confiança em bancos gaúchos.
… comemorar uma revolução que não deu certo.
… dizer que é difícil fazer churrasco.
… comer a costela antes da picanha.
… dizer que vaso de banheiro é PATENTE.
… nascer em Pelotas e dizer que é de Rio Grande e MACHO.
… nascer no Alegrete sentir-se frustrado por não ser MAGRINHO DE PORTO.
… comer NEGRINHO em vez de brigadeiro.
… falar TCHÊ ao telefone só pra ver se descobre outro.
… indicar um gaúcho para presidente.
… enviar cartão postal de TORRES.
… fazer compras no SUPER.
… dizer que tem um FRIGIDAIRE em vez de geladeira.
… ter se identificado com Figueiredo mesmo sabendo que ele não era gaúcho.
… dizer que Kleiton e Kledir são mais machos que Gil e Caetano.
… ter horror a CASTELHANOS.
… achar que o LAÇADOR é maior e mais bonito que o Cristo Redentor.
… achar que o GUAÍBA é rio.
… dizer que tomar água à 100º C com gosto de mato é coisa de macho.
… chamar geléia de CHIMIA e doce de leite de MU-MU.

Ser Catarina é…

… chamar Jetski de VEXPA D’AGUA.
… ir ao açougue e pedir DOIS MEIO QUILO DE BOI RALADO.
… chamar helicóptero de AVIÃO DE ROXCA.
… despedir-se de alguém omitindo o “T”do (Tchau).
… comparar Camboriú com Cancum.
… fazer 18 anos, tirar a “CARTA” e viajar ao RS para conhecer o Pai.
… se orgulhar de seu maior macho: ANITA GARIBALDI.
… morar em Sombrio e trazer o filho as pressas para registrar em Torres.
… marcar um dia para tomar chifrada no traseiro e achar que isso é diversão.
… ir a Praia pela BR 101 e chamar de BRIÓI.
… ter o tênis como principal esporte coletivo.
… chamar lagartixa de jacarezinho de parede.
… chiar como Carioca e pensar que é Paulista para esquecer que no fundo, bem no fundo, gostaria de ser GAÚCHO!!!


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18 set 07

Para quem não sabe estamos em Plena Semana Farroupilha e esta é a semana mais importante do ano para qualquer Gaúcho que se preze …
Não é a toa que é pouco dias  depois da Independência do Brasil …
Muitos pensam que Gaúcho é metido, se acha melhor que os outros, mas isto não é verdade.
Verdade sim é que temos orgulho de nossas tradições e amamos nossa terra … mas isto não quer dizer que não sejamos Brasileiros e com muito orgulho.
Mas antes de sermos Brasileiros, somos Gaúchos …

A cada dia até o final da semana postarei aqui no Blog um post em homenagem a esta Semana …
Hoje começamos com um poema que eu adoro e tenho certeza que gostarão!!

Bochincho
Jayme Caetano Braun

    
 
A um bochincho – certa feita,
Fui chegando – de curioso,
Que o vicio – é que nem sarnoso,
nunca pára – nem se ajeita.
Baile de gente direita
Vi, de pronto, que não era,
Na noite de primavera
Gaguejava a voz dum tango
E eu sou louco por fandango
Que nem pinto por quireral.

Atei meu zaino – longito,
Num galho de guamirim,
Desde guri fui assim,
Não brinco nem facilito.
Em bruxas não acredito
‘Pero – que las, las hay’,
Sou da costa do Uruguai,
Meu velho pago querido
E por andar desprevenido
Há tanto guri sem pai.

No rancho de santa-fé,
De pau-a-pique barreado,
Num trancão de convidado
Me entreverei no banzé.
Chinaredo à bola-pé,
No ambiente fumacento,
Um candeeiro, bem no centro,
Num lusco-fusco de aurora,
Pra quem chegava de fora
Pouco enxergava ali dentro!

Dei de mão numa tiangaça
Que me cruzou no costado
E já sai entreverado
Entre a poeira e a fumaça,
Oigalé china lindaça,
Morena de toda a crina,
Dessas da venta brasina,
Com cheiro de lechiguana
Que quando ergue uma pestana
Até a noite se ilumina.

Misto de diaba e de santa,
Com ares de quem é dona
E um gosto de temporona
Que traz água na garganta.
Eu me grudei na percanta
O mesmo que um carrapato
E o gaiteiro era um mulato
Que até dormindo tocava
E a gaita choramingava
Como namoro de gato!

A gaita velha gemia,
Ás vezes quase parava,
De repente se acordava
E num vanerão se perdia
E eu – contra a pele macia
Daquele corpo moreno,
Sentia o mundo pequeno,
Bombeando cheio de enlevo
Dois olhos – flores de trevo
Com respingos de sereno!

Mas o que é bom se termina
- Cumpriu-se o velho ditado,
Eu que dançava, embalado,
Nos braços doces da china
Escutei – de relancina,
Uma espécie de relincho,
Era o dono do bochincho,
Meio oitavado num canto,
Que me olhava – com espanto,
Mais sério do que um capincho!

E foi ele que se veio,
Pois era dele a pinguancha,
Bufando e abrindo cancha
Como dono de rodeio.
Quis me partir pelo meio
Num talonaço de adaga
Que – se me pega – me estraga,
Chegou levantar um cisco,
Mas não é a toa – chomisco!
Que sou de São Luiz Gonzaga!

Meio na volta do braço
Consegui tirar o talho
E quase que me atrapalho
Porque havia pouco espaço,
Mas senti o calor do aço
E o calor do aço arde,
Me levantei – sem alarde,
Por causa do desaforo
E soltei meu marca touro
Num medonho buenas-tarde!

Tenho visto coisa feia,
Tenho visto judiaria,
Mas ainda hoje me arrepia
Lembrar aquela peleia,
Talvez quem ouça – não creia,
Mas vi brotar no pescoço,
Do índio do berro grosso
Como uma cinta vermelha
E desde o beiço até a orelha
Ficou relampeando o osso!

O índio era um índio touro,
Mas até touro se ajoelha,
Cortado do beiço a orelha
Amontoou-se como um couro
E aquilo foi um estouro,
Daqueles que dava medo,
Espantou-se o chinaredo
E amigos – foi uma zoada,
Parecia até uma eguada
Disparando num varzedo!

Não há quem pinte o retrato
Dum bochincho – quando estoura,
Tinidos de adaga – espora
E gritos de desacato.
Berros de quarenta e quatro
De cada canto da sala
E a velha gaita baguala
Num vanerão pacholento,
Fazendo acompanhamento
Do turumbamba de bala!

É china que se escabela,
Redemoinhando na porta
E chiru da guampa torta
Que vem direito à janela,
Gritando – de toda guela,
Num berreiro alucinante,
Índio que não se garante,
Vendo sangue – se apavora
E se manda – campo fora,
Levando tudo por diante!

Sou crente na divindade,
Morro quando Deus quiser,
Mas amigos – se eu disser,
Até periga a verdade,
Naquela barbaridade,
De chinaredo fugindo,
De grito e bala zunindo,
O gaiteiro – alheio a tudo,
Tocava um xote clinudo,
Já quase meio dormindo!

E a coisa ia indo assim,
Balanceei a situação,
- Já quase sem munição,
Todos atirando em mim.
Qual ia ser o meu fim,
Me dei conta – de repente,
Não vou ficar pra semente,
Mas gosto de andar no mundo,
Me esperavam na do fundo,
Saí na Porta da frente…

E dali ganhei o mato,
Abaixo de tiroteio
E inda escutava o floreio
Da cordeona do mulato
E, pra encurtar o relato,
Me bandeei pra o outro lado,
Cruzei o Uruguai, a nado,
Que o meu zaino era um capincho
E a história desse bochincho
Faz parte do meu passado!

E a china – essa pergunta me é feita
A cada vez que declamo
É uma coisa que reclamo
Porque não acho direita
Considero uma desfeita
Que compreender não consigo,
Eu, no medonho perigo
Duma situação brasina
Todos perguntam da china
E ninguém se importa comigo!

E a china – eu nunca mais vi
No meu gauderiar andejo,
Somente em sonhos a vejo
Em bárbaro frenesi.
Talvez ande – por aí,
No rodeio das alçadas,
Ou – talvez – nas madrugadas,
Seja uma estrela chirua
Dessas – que se banha nua
No espelho das aguadas!

” Mas não basta para ser livre
ser forte, aguerrido e bravo;
povo que não tem virtude
acaba por ser escravo”
HINO RIO-GRANDENSE

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